Joel Entrevista-do
by denislee on Jul.03, 2009, under TEXTO
Muitos questionaram o motivo que me fez parar de gravar os programas “Joel Entrevista” com o meu coleguinha Joel. Como vocês devem saber (e sofrer também) é que muitas vezes somos levados por impulsividades, o que nos faz acender uma chama de realizar projetos (mesmo que amadores ou por experimentais). Esse programa foi fruto de uma impulsividade minha, uma paixão temporária, apesar de ainda existir uma grande vontade de gravar e produzir novamente.
Não só por esse motivo (o combustível ser a paixão impulsiva e temporária) que me levou a parar, mas uma série de eventos também tornaram a realização cada vez mais difícil. Posso citar alguns desses eventos: TCC, provas na faculdade, podcast e etc. Sem contar que a edição e formação do roteiro é um processo criativo exaustivo, não obstante, muitas vezes ser prazeroso e divertido.
Não nego que eu tenha vontade de voltar a produzir, uma vez que a maioria das casualidades que abafaram muito essa minha paixão por edição e produção de vídeo foram eliminadas (me formei e parei de gravar o podcast sobre tecnologia por um tempo). O futuro ainda é incerto e ainda estou estudando as possibilidades de como gastar (ou investir) o meu tempo livre. Porém, aceito qualquer incentivo e idéias, afinal, era para vocês que eu produzia os vídeos.
Gravei esse vídeo com o Joel usando o meu celular para dar satisfação aos fãs dele e das poucas gravações que realizamos juntos. Espero que gostem (caso você seja um fã dele, é claro).
[nota]
Eu errei na digitação no texto final do vídeo, digitei “dique” quando, na realidade, era para ser “disque”. Todavia, minha preguiça foi tanta que eu deixei assim. ;p
Alienígenas na Av. Paulista
by denislee on Jul.02, 2009, under TEXTO
Por favor, leia o texto antes de assistir o vídeo.
Minha aula de inglês termina sempre as 18hrs, ou seja, um horário praticamente impossível de pegar o metrô. Caso eu pegasse o metrô aquele horário ou uma hora depois, demoraria o mesmo tempo para chegar em casa em ambos os casos. Então mais uma vez, pela lógica resolvi passear um pouco na Av. Paulista. Vocês sabem que depois de um certo horário (mais especificamente depois das 18hrs) a Av. Paulista muda completamente e é dominada por figuras estranhas, se pela manhã e tarde existem apenas pessoas bem vestidas e trabalhadoras, de noite aparecem seres de outros planetas e dominam por completo essa área. Esses alienígenas por sua vez, sempre me chamaram a atenção. Todavia, ontem aconteceu algo diferente.
No passeio da Av. Paulista, resolvi ver a fachada da minha antiga faculdade, pois o meu professor de inglês havia comentado que tinham colocado uns efeitos de luzes bem bacanas e não sabia qual tecnologia estavam utilizando para realizar os tais efeitos. Já pude escutar um estalido em minha cabeça: “opa, o negócio deve ser bem bacana mesmo. Vejamos! Avante!”. Quando vi, não era nada de muito especial, apenas umas placas com LEDs coloridos ordenados em uma matriz e um microcontrolador mandando os comandos para cada placa formar a imagem correta.
Agora que vem o diferencial. Resolvi filmar. Com o meu celular (iPhone, primeira geração) de prontidão iniciei a filmagem de maneira bem porca (claro, não é o 3GS e usei o Cycorder) para publicar na internet e mostrar para vocês – leitores do meu blog (olha como sou bacana). Porém, fui interrompido por um mendigo-alienígena no momento da filmagem e ele pediu gentilmente para que filmasse ele (“ei! Japonês, filma aqui eu. Ei! Aqui!!!”). Assim que virei o celular para ele, ele fez um singelo sorriso amarelo (com alguns dentes faltando) e começou a sua apresentação(?), demonstrando a sua maravilhosa arte/dança/luta milenar para a minha câmera. Gravei tudo e está no vídeo. Fiquei espantando com a colossal habilidade do mendigo-ninja e fiquei curioso como nenhuma produtora de filme ainda não havia descoberto ele. Tenho certeza que Jackie Chan, Jet Li e Tony Jaa fariam uma reverência por respeito ao grandioso poder místico do mendigo-ninja. Pensei comigo mesmo: “esses headhunters deveriam visitar a Av. Paulista mais vezes”.
Pronto, agora eu tinha material suficiente para produzir um vídeo caseiro bacana, no entanto, a caminho do metro já imaginando e planejando em como editar esses vídeos porcos, me deparei com um tipo diferente de artista-alienígena na rua. Olha, eu já vi muitos tipos: violonista, guitarrista, entre muitos outros. Mas, esse artista-alienígena era diferente, ele estava tocando um triangulo e cantando. Isso mesmo, um TRIANGULO! Isso me abalou e obviamente que gravei também. Está tudo no vídeo.
Pronto, agora você pode assistir o vídeo. Bom proveito e espero que vocês sintam um pouco da minha extraordinária experiência que eu tive no dia de ontem, no período mágico que a avenida sofre uma invasão extraplanetária.
Medo quimérico da Internet
by denislee on Jul.01, 2009, under TEXTO

Uma vez um amigo meu que mora nos Estados Unidos (apesar dele ter nascido aqui no Brasil, mora lá já faz mais de 5 anos. Presumo que ele seja praticamente um americano, visto que ele está o português) comentou algo interessante comigo, falou o seguinte: “cara, estranho que existam poucos vídeos caseiros de brasileiros na internet. Porque vídeos de norte americanos existem milhares na rede”. Isso me fez pensar. (Vale lembrar que ele fez esse seguinte comentário antes mesmo do YouTube ou Twitter se popularizar no Brasil devido ao incentivo da mídia.)
Pessoas têm medo de serem muito divulgadas. Possuem a falsa impressão que cada coisa que elas publicam na internet ficará visível de modo instantâneo para todos os usuários da rede. Como a atenção que é dada a uma bola de futebol que é posta no campo em uma final da copa do mundo. Acontece que esse medo é irracional no meu ponto de vista. Outro exemplo equivalente são aquelas pessoas que sofrem de TOC (Transtorno Obsessivo-Compulsivo), acham que possuem uma explicação racional para as suas esquisitas manias sistemáticas. Casos como lavar as mãos toda hora por achar que todos os lugares serem sujos (de fato, não posso negar que isso seja uma verdade, mas não que seja algo que mereça uma atenção doentia e atrapalhe o andamento natural de sua vida), e não só acham isso (pois se fosse só para achar isso, seria uma pessoa normal), todavia sentem o medo que essa sujeira caso não seja limpa possa se tornar algo mortal. Inclusive já ouvi casos de pessoas que tinham medo de mosquito, pois acreditavam – de uma maneira irracional – que certas doenças (como a AIDS) poderiam ser transmitidas por um simples pernilongo (pica uma pessoa infectada e pica uma saudável, transmitindo a doença). Esses medos são ilusórios e são exatamente esses medos que muitas pessoas tem em relação a internet.
Como posso afirmar que esse medo é irracional? Qual a probabilidade de um vídeo produzido por você se torne um viral na rede? A probabilidade como você deve deduzir, com um singelo raciocínio, que é baixa. Existem empresas especializadas para isso e mesmo assim não conseguem que determinado material consiga essa qualidade de “viral”. Existem pessoas na internet que possuem o seu próprio canal virtual na rede para publicar suas gravações caseiras que almejam alcançar essa popularidade e não conseguem, mesmo com muito esforço. Agora, uma pessoa normal que não procura nem a fama virtual mundial, conseguiria tal feito? Não posso negar que existe uma probabilidade de acidentalmente o vídeo de você caindo na piscina apareça no Kibe Loco, obrigando você a distribuir autógrafos na rua, porém mesmo assim a probabilidade é baixa disso acontecer.
Obviamente que deveremos ter cautela no uso de muitos serviços, porém não podemos nos restringir tanto a ponto de nem utilizar tais serviços. Se você sabe que o seu chefe ou seus colegas de trabalha lêem o seu Twitter, claro que você nunca Twittará [sic] que o trabalho está chato e você não está fazendo nada, muito menos que o seu chefe é chato. Casos como entrar em comunidades de “eu odeio o meu chefe” ou “eu pegaria a secretária” pela sua conta do Orkut não é muito sensato. Com o mínimo de reflexão você perceberá que colocar a sua foto bêbado em um festa em seu Flickr também não é legal. O mínimo de cautela (que infelizmente alguns ainda não foram elucidados) é necessária, porém não devemos colocar esses riscos como barreiras intransponíveis para a divulgação de conteúdo gerado por você e/ou abolir por completo a sua participação na rede.
Sempre incentivo os meus amigos a utilizarem todos os benefícios que os serviços internetianos [sic] podem oferecer. Acredito que com um bom uso dela, poderemos ter um crescimento exponencial (tanto pessoal como profissional). Seja divulgando as suas idéias em um blog, ajudando outras em comunidades de projetos Open Source ou entre outras infinidades de serviços. Apesar da internet não ser um lugar democrático em sua totalidade, acredito que seja o lugar mais próximo de uma ótima democracia, acho esse fato sensacional. Não esqueça que a internet não é apenas compostas por máquinas, são composta por pessoas e nada mais fascinante do que elas.
Admirável mundo novo
by denislee on Jul.01, 2009, under TEXTO

Terminei de ler o livro “Admirável mundo novo” escrito por Aldous Huxley. Peguei o livro em uma das notas na orelha do livro “Laranja mecânica” fazia referencia. Tenho uma amiguinha que está fazendo colegial e por incrível que pareça na escola dela ela tem aula de filosofia e sociologia, obrigaram ela a ler esse livro. Esse fato me incentivou na minha escolha desse livro como próxima leitura.
Achei o livro sensacional. Todas aquelas aulas de sociologia finalmente fizeram algum sentido após ler esse livro. Finalmente aquelas explicações abstratas que os meus professores da faculdade fizeram começaram a iluminar a minha mente, as idéias começaram a se juntar como um quebra-cabeça sendo resolvido aos poucos durante a minha leitura do livro.
Aldous conta no livro uma história fictícia de um futuro nada impossível e bem pessimista. Demonstra de forma hiperbólica os maus da sociedade de hoje, fazendo um prognóstico fantástico e criativo. Ele utiliza toda a sua criatividade não para predizer as máquinas que reinarão no futuro, mas como a sociedade poderá agir, seu estado comportamental doentio. Imagina um mundo estável e agradável. Pessoas são felizes, têm o que desejam e não desejam o que não podem ter. Sentem seguras, não adoecem, não tem medo da morte, vivem na ditosa ignorância da paixão e da velhice. São condicionadas a isso e caso algo saia do controle (ou seja, quando se tornam um pouco humanas) existe uma droga sintética chamada “soma” que repreende qualquer sensação ruim. Simplesmente sensacional e acredito que já estamos vivendo um pouco dessa realidade (o post anterior foi influenciado por esse livro).
Ah! Tive uma dificuldade de entender as duas últimas páginas do último capítulo do livro. O autor descreve a cena de uma forma muito discreta o que complicou em muito o meu entendimento da mesma. De qualquer forma, ainda pretendo ler mais vezes e tirar a dúvida com outras pessoas (na verdade, eu já li o final três vezes tentando entender algo).
Quem não leu, leia. É um dos clássicos obrigatórios para todos os seres viventes da Terra e que participam da nossa grande “civilização”. Se eu escrever mais sobre o livro, estraga.
Por que você trabalha?
by denislee on Jun.30, 2009, under TEXTO

Se perguntassem para você, qual o seu sonho? Qual é a sua realização profissional e de vida? O que você responderia? Se perguntassem o que é uma pessoa bem sucedida no meio em que vive, o que você responderia? Bem, eu responderia que gostaria de ter um emprego estável ou meu próprio negócio, uma esposa que me amasse muito, filhos, uma casa própria na cidade e outra no litoral ou interior, alguns carros e um sabre de luz igual do Star Wars (na cor verde), assim eu já estaria satisfeito. Acredito que a sua resposta não seja muito diferente da minha, certo (tirando o sabre de luz, obviamente)? Qual o motivo dessa minha pergunta? Responderei com outras perguntas para o seu desespero.
A questão é: será que realmente temos liberdade em relação aos nossos sonhos e desejos? Qual o ideal de nossas vidas? Por qual motivo trabalhamos? Se não é possível comer dinheiro, por qual motivo queremos tanto ele? Qual é o seu plano de vida? Acontece que muitas dessas questões estão ligadas pela grande influência externa que sofremos e que atinge diretamente no nossos anseios e desejos, sejam eles conscientes ou inconscientes. Eu mesmo já citei inúmeras vezes de como a influência externa nos condiciona ao consumismo exacerbado e escolhas muitas vezes irracionais na compra de produtos inúteis. Porém, quero destacar nesse post que não só nessas escolhas superficiais e aparentemente inócuas que as influências externas tomam conta de nossas vidas. Você pergunta: “que outra parte poderia esse poder externo poderia influenciar?” Minha humilde resposta seria: “nossos sonhos, nossas metas de vida, nossa filosofia de vida.”. Veja que isso é bem profundo. Acompanhe meu raciocínio doidinho.
Primeiro lugar, quem falou que você se sentirá realizado com uma casa própria, uma esposa (ou marido), filhos e um emprego estável e de prestígio? Será que você não foi condicionado também a realizar essa escolha? E mesmo que você tivesse total liberdade de realizar essa escolha (i.e., livre de qualquer influência externa), quem poderia afirmar que essa é a melhor escolha? Vamos por partes, pois não quero deixar você louco (como eu) antes da hora.
Antes de mais nada acredito que um bom medidor de felicidade esteja diretamente ligada a nossa satisfação pessoal. Porém, o que indicaria o nosso nível de satisfação pessoal? Será que possuímos o poder de decisão da nossa satisfação pessoal? Será que não somos condicionados a ponto de afetar até o nosso nível de satisfação pessoal? O modelo que colocam em nossas cabeças pode ser de ter uma família estável, um casal como filhos, um carro e uma casa própria (como o exemplo do meu sonho que eu citei logo no início). Esse modelo, aparentemente parece ser o básico e incomum para a maioria das pessoas do planeta (isso é apenas uma suposição minha, visto que pode variar pelo aspecto sócio / econômico / cultural / religioso). Porém, será que alguém fora desse aspecto pode ser feliz? Pode se sentir tão realizado com uma pessoa que possui essas coisas? Será que uma pessoa que possui essas coisas, está verdadeiramente realizada? Isso é muito relativo parece ser uma decisão livre que todos nós temos, veja que existe uma flexibilidade grande em mudar a meta em sua vida e nada garante que essa escolha que você fez é a melhor para você. Somos vulneráveis até nesse aspecto decisivo também. Muitas vezes não damos atenção e colocamos no automático, definindo essas metas como axiomas em nossas vidas e damos atenção para outras coisas, como profissão, dinheiro e relacionamentos. Repare que todos esses outros focos estão diretamente ligadas ao nosso plano de vida.
Vimos que temos sonhos, todos os humanos tem sonhos e objetivos na vida, ou seja, um planejamento em suas vidas e um objetivo. Mesmo que você ache que não tenha, possui alguma idéia do futuro e objetivos incomum com a maioria das pessoas de sua comunidade. Vimos também que esses sonhos, realizações e desejos são tão vulneráveis e frágeis como uma criança que sofre influência fácil ao assistir uma propaganda na TV de um carrinho controlado por um controle remoto e pede desesperadamente para os pais comprarem. Agora vamos ao terceiro ponto, quem é que dita essas regras? Quem é que condiciona as nossas cabeças a colocar essa idealização do futuro ideal para nossas vidas?
Aparentemente o governo e o sistema social que vivemos atualmente são os maiores influenciadores das massas, querem colocar em nossa cabeça que precisamos de dinheiro e desse “modelo familiar”. Será que é realmente necessário o dinheiro? Aí você poderia responder: “Denis, infelizmente vivemos no mundo capitalista, dinheiro é um mal necessário.” Mas a minha réplica seria: “alguém te obriga a viver no mundo capitalista? Será que você não tem escolha perante a isso? Será que essa é a sua única realidade? Até onde temos liberdade?”. Pessoas não conseguem e nem imaginam se verem fora do mundo capitalista, acham isso inaceitável. Por qual motivo acham isso? Ao meu ver é um dos sintomas de seus axiomas que alguém colocou em suas cabeças.
Sabe qual o maior problema de ter apenas a realidade capitalista em suas mentes? É olhar outras pessoas que estão fora desse sistema e achar que são fracassadas e ter pena (chegamos na quarta parte da minha discussão). Por exemplo, quando estamos passando na rua e vemos um mendigo. Um dos meus primeiros pensamentos em relação a pessoa dele é algo do tipo: “poxa, coitado, ele não tem nem onde se lavar.”, “poxa, bem que ele poderia ter roupas novas”, “será que se ele tivesse cobertor não poderia ter um sono melhor?”, “ele poderia ter um PSP para se distrair um pouco pelo menos” (ok, forcei a barra). Ou quando vejo algum hippie vendendo artesanato e me questiono se aquilo é uma vida que eu quero e se ele é feliz.
Não só em relação a esse contraste de desigualdade social que quero tocar, mas existem formas mais sutis de ver como esse axioma capitalista em nossas vidas pode se tornar até um problema familiar. Existem dois irmãos, um se tornara um grande executivo de uma empresa famosa e o outro não concluiu a faculdade, tem empregos instáveis (os chamados “bicos”) e vive viajando para muitos lugares sempre que dá vontade. A família vê o que não concluiu a faculdade e diz: “bem que ele poderia ser igual o seu irmão. Tadinho, nem faculdade tem.” E terminam com um semblante de reprovação e decepção. Então sussurram: “que fracassado…”.
Outro exemplo poderia citar aquelas pessoas que sacrificam a sua vida toda para tentar conseguiu atingir esse modelo. Pessoas que acabam se endividando nas Casas Bahia para conseguir montar a sua casa dos sonhos e depois querem se matar por não conseguir pagar as dívidas. Quem disse para essas pessoas que precisam de uma casa mobilhada daquela forma? Porém, você da classe media poderia me dizer: “oh! Esse povo que não consegue nem administrar o próprio dinheiro é afetado por um sonho idealizado utópico, precisa ser mais pé no chão. Eles são facilmente manipulados pelo sistema que utiliza de propagandas maléficas”. Todavia, não somos manipulados também? Quem disse que você precisa concluir uma faculdade? Veja que também somos manipulados e tudo se torna relativo. O poder desses paradigmas são enormes.
Imagine uma ONG que ajuda jovens e adolescentes a terem na internet, inclusão digital é o que eles dizem. Pegam pessoas da periferia e querem integrar eles na internet, para que dessa forma tenham mais oportunidade de sobreviver, de efetivamente participar da sociedade. Coitadinhos, nem computador possuem, e nos dias de hoje quem não saber mexer no computador, não pode nem conseguir emprego. Vamos aumentar um pouco mais a visão agora, se simplificarmos a visão que temos da sociedade, então teríamos duas “castas” distintas. Uma que é pobre, injustiçada e desvalorizada e a outra rica. A missão do governo é distribuir a renda igualmente, certo? O objetivo é pegar essa casta pobre e integrar na casta rica. Aí vem a outra questão, será que a outra parte quer ser realmente integrada a parte rica? Será que o objetivo dessa comunidade mais pobre, não é exatamente não fazer parte desse sistema e ele são felizes em seus sistema social isolado do sistema social imposto pelo governo? Quem disse que eles querem se integrar nessa loucura do capitalismo? Será que não é opcional eles não quererem se registrar no cartório e ser parte do sistema, muito menos lograr dos “direitos” que o governo fornece? “Olha, você tem direito a educação”. Querem empurrar isso para que tenham mais possíveis consumidores? Ou mais mão de obra para o sistema deles?
Quebrando esse paradigma, quebrando esse condicionamento que temos na cabeça, acabamos por entender um pouco mais a realidade daqueles doidos que vendem artesanato nas ruas. Entendemos um pouco mais aqueles que se mudam para as montanhas e praticam o cultivo de agricultura de subsistência. Entendemos muitas outras realidades. E o melhor, ajuda a nos refletir melhor e elucidar um pouco os nossos objetivos e planos de vida.
Não estou falando para todos abandonarem as cidades e viverem juntamente com os índios que seus problemas acabariam, muito menos para pararem de estudar para praticar artesanato com os hippies. Cada pessoa é diferente e quero demonstrar que muitas pessoas são infelizes, pois pensam que não tem outra opção a não ser por batalhar por um status e poder no sistema capitalista / cultural / político que vive. Temos escolhas e nem sempre aquele que passa a vida toda no meio da floresta amazônica tirando fotos é um cara triste.
Sei que escrevi muito e não sei se consegui passar exatamente o que eu quero dizer. De qualquer forma está aí e eu tentei. Hihihi.
Alice no País das Maravilhas
by denislee on Jun.29, 2009, under TEXTO

Ontem terminei de ler “Alice no País das Maravilhas” do autor Lewis Carron. A escolha foi simples: precisava de algo rápido para ler depois de uma leitura pesada que eu tive (“Confissões” do autor Agostinho) e por causa do filme do diretor Tim Burton (sei que o filme dele vai demorar para sair – 16 de Abril de 2010, mas queria ficar por dentro mesmo assim). Preciso ficar por dentro do filme para assistir ele, entende? E não, eu não assisti o filme produzido pela Disney.
Como os outros infanto-juvenis que eu já li, imaginei que teria alguma mensagem para refletir com alguma moral no final, porém não pude entender muito da sua mensagem principal (se é que realmente existe alguma). Não obstante, existem algumas citações interessantes de alguns dos personagens doidos que o livro tem (anotei algumas). Definitivamente um livro nonsense.
O fato do livro ser nonsense é inteligível até certo ponto, pois o livro faz parte da literatura clássica inglesa (calma, já vou explicar a ligação). Ao descobrir isso, fiz uma ligação com o tipo de humor e nonsense do filme “Monty Python” (ótimo filme por sinal, pretendo assistir novamente) então presumo que não seja tão perturbador assim saber que Carron não era um ET ou um robô do futuro assassino. Outra coisa interessante que eu descobri foi que o autor desse livro inventou essa história para as crianças em um passeio da escola (ou algo próximo disso). A questão é: como alguém pode inventar uma história dessa tão “bate-pronto” assim? Que loucura, tenho quase certeza que ele era usuário de drogas pesadas (como o VJ da MTV Thunder Bird que se drogava antes das gravações) para ter tamanhas alucinações, talvez até mais fortes do que o Franz Kafka usara em sua época (brincadeirinha, claro).
Foi ótimo para passar o tempo, divertidíssimo e claro, adorei o livro. Oh sim, esqueci de falar quem me recomendou o livro, certo? Ninguém, eu lembrei do nada e decidi comprar. Hihihi.
Acho que eu estou bem da gripe, para todos aqueles que se preocupam comigo. (:
Confissões [Agostinho]
by denislee on Jun.27, 2009, under TEXTO

Finalmente terminei de ler “Confissões” do Agostinho. Um livro que possui muitos outros livros dentro (no total de 13 pequenos livros), porém muito denso. Eu acredito que é denso pelo meu limitado vocabulário (tive que consultar o dicionário severas vezes), pela minha limitada memória (por esse motivo tive que recorrer o dicionário mais de uma vez para procurar a mesma palavra, o que me frustrava muitas vezes) e devido as suas profundas reflexões que não eram tão simples de abstrair em meu limitado raciocínio (uma vez que ele não recorre muitas vezes de exemplos, não deixando assim muito didático. Porém, mesmo quando ele utiliza de analogias, fica complicado). Bem, sabe quem me recomendou esse livro? Sempre gosto de falar quem me recomendou o livro, não é bacana saber? Para dar credibilidade a pessoa, certo? Foi a internet! Da mesma forma que eu peguei a recomendação de “Cândido” do Voltaire, peguei “Confissões”, Uma vez que eu estava procurando os clássicos da literatura e Agostinho faz parte, claro! Sem mais delongas, vamos ao livro.
Aqui nesse livro Agostinho (aliás, queria saber o motivo de deixar o nome dele no diminutivo. Será que ele tinha baixa estatura? Oh! Não sei.) consegue demonstrar que liberdade não pode ser um problema para o ser humano, ou seja, que o livre-arbítrio sempre nos causará dor de cabeça. Assim colocada, a libertação não é uma questão do pensamento, é uma abstração do conhecimento.
O livro é divido em duas partes. Na primeira parte Agostinho descreve o seu testemunho de vida e aparentemente parece ser organizado em ordem cronológica, ou seja, desde a sua infância até a sua conversão ao catolicismo. Já na segunda parte ele busca apresentar mais as suas reflexões filosóficas em relação a Bíblia e a compreensão de Deus em sua percepção. Porém, quero destacar que na primeira parte ele não apenas conta uma historinha, porém em cada trecho ele demonstra as suas reflexões em forma de confissão a Deus (provavelmente daí o nome do livro. Uau, sou espertinho), assim como as suas argumentações contra o maniqueísmo (seita que ele fez parte durante um bom tempo de sua vida antes de se tornar católico).
Ótimo para reflexão e Agostinho ainda levanta questões pertinentes ao nosso dia a dia, por mais antigo que ele pareça ser (Agostinho viveu entre o século IV e o século V). Aliás, esse pessoal das antigas sempre me surpreende. Todavia, quero destacar a parte final da primeira parte do livro. Nessa parte Agostinho finalmente larga a sua seita (maniqueísmo) e adere ao catolicismo, porém durante a primeira parte inteira do livro (ou seja, durante a vida toda de Agostinho) uma figura ilustre que sempre apareceu foi sua mãe Mônica. Logo após o nascimento de Agostinho, aparentemente a missão de sua mãe era para que ele conhecesse e servisse a Deus. Orava todos os dias fielmente na igreja. Tanto é verdade que existe uma cena final que Agostinho descreve no último livro da primeira parte (Livro IX) onde ele dialoga com a sua mãe Mônica. Ela já doente, diz o seguinte para o seu filho que convertera ao catolicismo pouco tempo:
Meu filho, quanto a mim, já nenhuma coisa me dá gosto, nesta vida. Não sei o que faço ainda aqui, nem por que ainda aqui esteja, esvanecidas já as esperanças deste mundo. Por um só motivo desejava prolongar um pouco mais a vida: para ver-te católico antes de morrer. Deus concedeu-me esta graça superabundantemente, pois vejo que já desprezas a felicidade terrena para servires ao Senhor. Que faço eu, pois, aqui?
A discussão que os dois tem é fantástica e confesso que quase chorei. Acredito que tenha sensibilizado o artista Ary Scheffer que produziu uma obra de arte com essa cena deslumbrante. [ clique aqui para ver a pintura ]
Gostei muito do livro. Mas, como Sartre sente um cansaço grande depois de escrever um livro, eu também me sinto assim após terminar uma leitura como essa. Pegarei um livro mais tranqüilo agora. Não obstante, recomendo muito esse livro para todos, sejam cristãos ou não, calvinistas ou não.
Só um detalhe: Agostinho recebeu o titulo de Santo pela igreja católica, assim como a sua mãe Mônica.




